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Grandes trilhas sonoras. Filmes nem tanto.

Essa semana postaremos textos espertíssimos do jornalista Marcelo Almeida sobre grandes trilhas sonoras do cinema. Marcelo resolveu comentar sobre ótimas trilhas em grandes filmes e ótimas trilhas em filmes nem tanto. Para começar, o segundo caso. Divirta-se!


Tank Girl

Um filme que começa ao som de "Girl U Want" do Devo já merece grande empolgação. Pena que isso se restrinja apenas a sua trilha sonora.


"Tank Girl - Detonando o Futuro" (subtítulo horrível, diga-se) chegou até a passar na TV brasileira na segunda metade dos anos 90, mas nem todo mundo deve ter ouvido falar.


O filme foi inspirado nos quadrinhos underground de Tank Girl, heroína cyberpunk com um pé na contra-cultura criada pela dupla Alan Martin e Jamie Hewlett.


O mote da história é simples e previsível: em um futuro distante e apocalíptico, jovem garota luta contra a tirania da organização liderada pelo malvado Dr. Keesle interpretado por Malcolm McDowell (sim, este mesmo que você pensou) que domina o estoque de água potável do planeta.


Pra salvar o mundo, Tank Girl dirige um tanque de guerra e tem a ajuda de uma raça mutante esquisita: meio humana, meio canguru. O líder dessa raça é ninguém menos que o rapper encrenqueiro Ice-T e entre seus soldados existe até um saxofonista fã de poesia beatnik.


Se o filme peca pelos excessos pop, com uma má realizada colagem de cinema e quadrinhos dirigida por Rachel Talalay, o mesmo não pode ser dito de sua trilha sonora.


Aos cuidados de Courtney Love, a trilha sonora é bem legal e casa perfeitamente com a ambientação proposta pela película.
O que se ouve é uma mistura de artistas "alternativos" dos anos 90. Gente do porte do Portishead executando a lindíssima faixa "Roads", da bizarra Björk com a climática e futurista "Army of Me".


O quase insosso Bush até que convence com "Bomb" e as saudosas doidonas do L7 com aquele punk estiloso/maravilhoso que lhes era característico na ótima "Shove".


Ainda temos as belíssimas garotas do Veruca Salt (ai, ai, ai) numa cançãozinha meia-boca chamada "Aurora", o próprio Hole numa música pero no mucho "Drown Soda" (você acreditava mesmo que a Courtney Love iria perder o "momento Sarney" em benefício próprio?) e um rap chato do Ice-T (com o perdão da redundância).


Mas o que rouba a cena é a versão da clássica "Let's Do It, Let's Fall in Love" de Cole Porter com a presença da arroz-de-festa, Joan Jett acompanhada por Paul Westerberg, do grande The Replacements.


Genial.


Típico clichê: filme fraquinho, trilha legal.

 

Veja a sequência de abertura e uma pequena galeria de fotos do filme!

 

 

 




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