
O Walysson Soares, que cuida do site Cine Vita, nos mandou como colaboração a resenha do livro O Clube do Filme, e vai receber a Movie 3
Em certo momento do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, dirigido por David Fincher, o personagem principal filosofa que “a vida é definida por oportunidades, inclusive as que perdemos”. Ao desenrolar da vida, aprendemos o quanto nossas escolhas definem os caminhos que iremos seguir. E tais escolhas podem estar ancoradas à oportunidades que, de uma forma de outra, moldam nossa trajetória. Em “O Clube do Filme”, o autor David Gilmour relembra sobre uma das escolhas mais difíceis (e importantes) que teve que fazer. Em seu livro auto-biográfico, David escreve sobre o momento em sua vida em que se viu perdido diante da incapacidade de seu filho, Jesse, em se envolver com os estudos. Com 15 anos, Jesse era popular e simpático, talvez até esperto, mas definhava diante de fórmulas químicas e cálculos matemáticos. David se viu impotente diante da derrota de seu filho e temia, mais que qualquer coisa, perde-lo de seu alcance. Com certa turbulência, fez uma proposta ao seu filho da qual ele não pôde recusar: Jesse poderia desistir dos estudos contanto que assistisse, toda semana, três filmes escolhidos pelo pai, e ao seu lado. E assim começou O Clube do Filme.

Para qualquer pai responsável, a escolha de David é uma perigosamente radical. E é mais que certo que gere certa controvérsia. Afinal de contas, David estaria sucumbindo aos desejos de seu filho imaturo, desprovendo dele uma vida acadêmica e social correta. Existe, porém, algo muito mais profundo em jogo aqui. Como vamos aprendendo ao desenrolar da narrativa, Jesse é um sujeito de personalidade forte, que bebe, fuma e se relaciona sexualmente. De forma aparente, a figura liberal de David como pai é facilmente atribuída. Naquele ponto da vida dos dois, momento da decisão importante, David sentia como se Jesse estivesse evaporando á sua frente. E nada deve ser mais doloroso para um pai que assistir seu filho se distanciar, aos poucos, para longe de seu alcance. Com o clube do filme, David – que é crítico de cinema – viu uma oportunidade para se conectar com seu filho e, no caminho, lhe ensinar valores e aprendizados. E, para qualquer um que seja sensível diante do poder e da arte dos filmes, é uma trajetória no mínimo interessante testemunhar o relacionamento entre pai e filho se aflorar entre sessões que vão desde “Os Incompreendidos” à “Amores Expressos”.
A relação entre David e Jesse é a alma do livro, que por sua vez é um expressivo e terno relato sobre a dor – e o prazer – de um pai ao testemunhar o crescimento do filho. A leitura inicia-se com um breve relato de David que é tão nostálgico quanto eficiente ao já denotar o quanto os três anos que ele e Jesse passaram juntos com o clube do filme foram importante para a relação pavimentada entre ambos – e até para o amadurecimento de Jesse como adulto. Entre os inúmeros filmes que conferiram, ambos passaram por terríveis momentos. David estava desempregado no período e se via lidando com o rumo descontrolado da vida do filho, que entrava em relacionamentos conflituosos e se destruía com o uso de drogas. O cenário pintado por David diversamente inspira o trágico, e é perigoso que alguns leitores enxerguem um painel de desvirtuamento de valores quanto à postura de David diante de seu filho. Nada ortodoxo, David surge como um pai flexível e ora fraco cujas escolhas paternais podem ter provocado atos destrutivos do filho. E, a todo momento, David nunca romantiza demais a leitura. Ele é dolorosamente sincero, e esta talvez seja a maior qualidade do livro. Por outro lado, a linguagem subjetiva e ocasionalmente metafórica de David pode encontrar certas inconsistências. Floreios e rodeios que soam desnecessários. Mas nem sempre é exagero, e David almeja ser sutil e profundo quando menos esperamos.

Embora os melhores momentos de leitura sejam aqueles que parecem nascer de emoções cruas, em relatos sinceros e comoventes sobre os obstáculos que David e Jesse enfrentaram neste curto período de suas vidas, alguns dos maiores deleites do livro estão vinculados aos filmes que são conferidos pela dupla. A certo ponto, os filmes parecem ser escolhidos por David de forma aleatória. Mas, inúmeras vezes, a leitura atinge o ápice ao retratar os paralelos que são construídos entre o que pai e filho testemunham na tela e o que sentem nos respectivos momentos de sua vida. “Os Incompreendidos”, de François Truffaut, é o primeiro filme que David mostra ao filho. A obra retrata a juventude de Antoine, que sente dificuldade em se relacionar com seus pais e seus estudos. O desfecho o traz correndo incontrolavelmente, em fuga. Ele chega à uma praia e, diante da imensidão do oceano, é assustado pela iminência da vida. De certa forma, David usa a obra para se comunicar com o filho, traçando paralelos e trazendo a tona questionamentos importantes. Existem outros belos momentos como este, espalhados pela leitura, em que o poder do cinema é retratado com vigor e paixão. A lista de filmes é extensa e, diversamente, os comentários de David beiram o superficial. Mas, quando este analisa um filme mais profundamente, o resultado é sempre caprichoso.
David surge como um digno mentor. Suas escolhas como pai podem ser questionáveis, mas isto se deve ao seu medo de ser repreendido pelo filho e de perde-lo no caminho. Em meio à aulas cinematográficas sobre o cinema exercido por Alfred Hitchcock ou Steven Spielberg (sempre interessantes), David se via em uma espécie de conexão com o filho que permitia que eles se relacionassem além na formalidade. Desta forma, ambos possuíam uma comunicação nada convencional. O que nasce disto é uma compreensão maravilhosa por parte de ambos. Um caso raro em que pai entende filho, e vice-versa. Certo momento traz ambos chorando após ocorrido dramático. A simples natureza da escrita é por si só é um feito admirável, mas a contundência nasce da constatação da união sóbria entre dois seres que poderiam ter sido arruinados pelos obstáculos da vida mas que, no ápice da tragédia, encontraram a si mesmos. Como pano de fundo, o cinema surgiu como fator incontestável desta união mútua que, no final das contas, termina com uma cópia de “Amores Expressos” esquecida na cama, a densa constatação de nostalgia, a dor irremediável da perda e o prazer inconfundível do orgulho. Hoje, Jesse Gilmour estuda cinema e tem sonhos de se tornar cineasta. Caso especial de uma vida drasticamente definida por uma oportunidade perdida.
Elvis e Madona foi um dos destaques do Festival Mix Brasil, encerrado no último dia 23 e foi exibido no FestNatal, que terminou ontem. A leitora Milena Azevedo viu o filme e nos contou o que achou...e vai levar uma edição da Movie 3, assim que ela sair do forno!

Uma das boas surpresas da 19ª edição do FestNatal – que contou com uma seleção de filmes de temáticas variadíssimas, mesclando produções de diretores e atores carimbados com trabalhos de uma geração que está em formação – foi Elvis & Madona (2008), de Marcelo Laffitte, diretor com experiência em curtas e documentários (A era do rádio), que estreia nas telonas com esse filme.
Em Elvis & Madona, temos uma história de amor totalmente original (e convincente), entre uma lésbica e um travesti.
Elvis (Simone Spoladore), fotógrafa free lancer que aceita fazer bico como motogirl de uma pizzaria, logo em sua primeira entrega presencia uma agressão ao travesti Madona (Igor Cotrim), que foi vítima de seu parceiro, o ator pornô e traficante João Tripé (Sérgio Bezerra), o qual lhe furtou todas as economias reservadas para realizar o seu sonho de produzir um grande show solo.
As entregas de pizza à Madona, por Elvis, vão sendo uma constante, e o interesse de uma pela outra fica cada vez mais evidente, até que o romance tem início. A situação complica quando Elvis engravida de Madona, e precisa decidir se quer ter a criança ou não; além do dilema de Madona, que se vê tentada a voltar a fazer filmes pornôs para completar o orçamento de seu show.
Marcelo Laffitte conseguiu fazer um filme redondo, no qual roteiro (que ele assina também), interpretação, montagem, fotografia e direção de arte estão praticamente impecáveis, além das participações especiais (e precisas) de Buza Ferraz, Maitê Proença e José Wilker.
Uma temática parecida com a de Elvis & Madona foi mostrada no filme alemão vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim de 2006, Uma Novela (En Soap), de Pernille Fischer Christensen, onde uma mulher e um transexual (antes de se submeter a uma operação para a troca de sexo) sentem-se atraídos. No entanto, o filme brasileiro inovou ao “embaralhar” não apenas os papéis sexuais, mas também os biológicos, mostrando que o amor rompe todos os preconceitos e tabus.
Elvis e Madona foi primeiramente exibido no 17º Mix Brasil, em São Paulo, e logo seguida entrou na mostra competitiva do FestNatal, antecipando a sua estreia em festivais, que estava programada para ser no Festival de Brasília, em 2010.
Durante cinco dias - desta quarta a domingo - acontece a mostra "O México de Emilio Fernández e Gabriel Figueroa", na Sala Cinemateca, em São Paulo. O evento em parceria com o Consulado Geral do México vai apresentar cinco filmes - "As Abandonadas", "Coração Torturado", "Flor Silvestre", "Manchada pelo Destino" e "La Perla". Emilio 'El Índio' Fernandéz morreu em 1986; Gabriel Figueroa, em 1997. Dois anos antes de sua morte, o grande diretor de fotografia esteve em São Paulo, para ser homenageado pela Mostra Internacional de Cinema, que dedicou um volume à sua obra.

Cena de Flor Silvestre
Figueroa não foi apenas o fotógrafo preferido do Índio Fernández. Colaborou com John Ford, Luís Buñuel e John Huston. Para o último, assinou a fotografia colorida de "A Sombra do Vulcão", mas era o primeiro a admitir que nunca chegou a possui um estilo próprio, trabalhando com a cor. Seu território era o preto e branco, que ele considerava mais difícil. E acrescentou, aqui mesmo em São Paulo - "Só com o preto e branco se obtém na tela o volume da imagem."
O espectador que não conhece muito a história do cinema latino-americano talvez se surpreenda ao saber que a parceria Fernández-Figueroa se tornou clássica. Eles, sozinhos - ou quase -, construíram a era de ouro da cinematografia mexicana, nos anos 1940 e 50. Fernández não era chamado de 'Índio' por acaso. Sua mãe era indígena e sua obra é marcada pela miscigenação entre brancos e índios como formadores da nação. Influenciado por Sergei M. Eisenstein, que deixara inacabado "Que Viva México!", Fernández participou da revolução mexicana, foi preso e fugiu para os EUA, onde se iniciou no cinema. Sua obra deve muito ao senso plástico de Figueroa, ao rigor de seu preto e branco, mas a presença de astros e estrelas como Maria Felix, Dolores Del Rio, Pedro Armendáriz, Maria Elena Márquez e Columba Dominguez (com quem foi casado) também lhe confere uma dimensão mítica. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Confira a programação completa no site da Cinemateca
Não parece, mas a série Seinfeld deixou de ser exibida em 1998, e até hoje – mesmo sem nenhum episódio novo – o sucesso de público continua o mesmo.
Famosa por seus roteiros politicamente incorretos, e ao mesmo tempo superengraçados, algumas situações viraram referência no mundo da comédia. Para celebrar tanto sucessi, as situações mais icônicas do seriado foram reunidas em uma única ilustração conhecida como Seinfeldology. São 99 referências, tente encontrá-las na imagem abaixo. Clique para ampliar:
A brincadeira fez tanto sucesso que o site YouFail, primeiro a divulgar a brincadeira, criou até camisetas com a estampa-puzzle. Para comprá-la, clique aqui.
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